Ticker BTR

Notícias em tempo real:

Tamanho de letra padrãoAumenta tamanho da letra
Política



Deu no Correio Braziliense

Governo quer restringir propaganda de cerveja na TV

28/01/2008 15:00:20

O cerco às propagandas de álcool vai começar a apertar no país, a exemplo do que ocorreu no passado com os anúncios de cigarro.

Assim que o Congresso voltar das férias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai encaminhar um projeto de lei que muda o conceito de bebida alcoólica, enquadrando a cerveja.
Atualmente, apenas as bebidas com concentração de álcool superior a 13º sofrem restrição de comerciais no horário nobre da televisão. A idéia é que as propagandas de qualquer tipo de bebida só possam ser exibidas das 21h às 6h.

O próximo passo será desassociar o álcool do universo de gente bonita e sarada que vive na praia, além de proibir que os fabricantes patrocinem atividades esportivas. “Nós vamos interferir até no conteúdo das propagandas porque os comerciais que passam na televisão induzem os jovens a beber”, argumentou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Segundo o superintendente do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Cerveja (Sindserv), Marcos Mesquita, as medidas que o governo planeja colocar em prática para reduzir o consumo de álcool são ineficientes.

“Retirar os comerciais de bebidas da televisão não vai reduzir o consumo. Até porque ninguém decide beber porque viu uma propaganda na televisão. Os comerciais servem apenas para reafirmar as marcas no mercado e seduzir os consumidores de produtos concorrentes”, diz Mesquita.

Para justificar a investida contra os comerciais de cerveja, o Ministério da Saúde apresenta números de acidentes no trânsito e uma estatística do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 1997, revelando que as mortes nas ruas e estradas decorrentes de álcool causam um prejuízo de R$ 20 milhões, computando aí despesas com seguro e a renda que a pessoa envolvida no acidente deixará de gerar, além do gasto do governo com tratamento médico. “A bebida alcoólica é uma praga”, frisa Temporão.

Quando disse que o projeto será encaminhado ao Congresso, o ministro afirmou ainda que vai se empenhar pessoalmente na tarefa de convencer os deputados a votarem a favor da medida. Ele avisou que vai enfrentar o lobby dos fabricantes que, segundo Temporão, é muito forte.

“Mas estou preparado”, ressaltou. Marcos Mesquita, do Sindserv, disse que o ministro não precisa se empenhar em enfrentar lobby algum. “Ele está perdendo o tempo dele. Não haverá lobby algum. Vamos apenas argumentar e mostrar em números que a medida não mudará o consumo de bebida no país”, prevê.

Mesquita cita como exemplo o que o governo fez com o cigarro. Desde 2000, o Ministério da Saúde investe ostensivamente contra o consumo de tabaco. Primeiro pôs uma advertência logo após os comerciais. Depois os retirou definitivamente do ar e, em seguida, proibiu que as marcas fossem associadas ao lazer e ao esporte. Na seqüência, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obrigou os fabricantes a estamparem imagens chocantes nos maços para tentar fazer com que o consumidor deixasse de fumar. “Uma das imagens mostra um cigarro caído, como se fosse um pênis flácido. Veja que o governo apela para o erótico e acaba se equivocando”, diz Mesquita.

Segundo dados da Receita Federal, o consumo geral de cigarro não caiu no Brasil após a campanha do governo. Houve uma queda de 15% na venda apenas das marcas mais conhecidas, que costumavam anunciar. Já as marcas desconhecidas tiveram aumento de 16%. No geral, o aumento na venda de cigarros teve alta de 26% desde 2001. “Ninguém deixou de fumar por causa das medidas do governo”, sustenta Mesquita.

Segundo dados do Sindserv, mesmo que o governo retire do horário nobre as propagandas de cerveja, a venda de bebidas alcoólicas terá um aumento de 6,8%. “Nós fazemos essa projeção há mais de 10 anos e nunca erramos”, frisa Mesquita.


Busca

Enquete