Uma semana após ter visto a hegemonia do pré-candidato e governador José Serra (PSDB-SP) cair, ou melhor, se dividir entre o tucano e a ministra da Casa Civil, que provavelmente também estará na disputa pela Presidência, Dilma Rousseff, o cacique da legenda e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (FHC), resolveu agir.
Neste domingo (7), FHC fez um artigo criticando a estratégia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou para as eleições deste ano. Nesta segunda-feira (8) ele voltou ao ataque, colocando em xeque a capacidade de liderança de Dilma. "Ela não é líder. É reflexo de um líder", disse. Ao ser questionado se considerava Lula um líder, FHC riu e respondeu: "Claro que sim, eu não sou bobo."
Ferrenho durante suas críticas ao governo quando há comparações suas com Lula, Fernando Henrique deixou de lado seu ponto de vista e também fez questão de comparar o currículo de Serra com o de Dilma. "A Dilma ainda não teve possibilidade de mostrar liderança. Serra inspira confiança e tem liderança, já demonstrada no Ministério da Saúde, na Prefeitura de São Paulo e no governo do Estado."
Apesar da clara defesa de Serra, o ex-presidente afirmou que o governador paulista deve manter a discrição sobre sua provável candidatura ao Planalto. Questionado se Serra deveria mudar de atitude e falar sobre o pleito deste ano, FHC respondeu: "O PSDB tem de se posicionar. Tem candidato. O governador tem de esperar um pouco mais." O tucano esquivou-se, também, de definir uma data para o anúncio da eventual candidatura Serra.
O ex-presidente tucano foi evasivo também ao falar sobre o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). O mineiro postulava a vaga de candidato do PSDB nessas eleições presidenciais, mas desistiu da empreitada em dezembro. "Aécio está se dedicando a Minas Gerais. Seria deselegante dizer o que ele tem de fazer."
Fernando Henrique voltou a reiterar pontos do artigo publicado ontem no jornal "O Estado de S. Paulo" e disse que o governo Lula não promoveu mudanças com relação à sua administração. "Todos achavam que Lula mudaria tudo. Não mudou, seguiu adiante no que eu tinha feito. Eu achei bom", ironizou. E continuou: "Eleição é futuro. Se (o PT) quiser, a gente compara, desde que seja dentro de um contexto, não há o que temer."