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Política


Governistas e oposição acusam Lula de ter sido complacente

3/5/2006 09:12:03

Tanto governistas como representantes da oposição criticaram duramente o que consideraram uma postura complacente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da nacionalização das reservas de petróleo e gás pela Bolívia. Da tribuna, parlamentares cobraram uma reação dura do Brasil para preservar os interesses da Petrobras, que vão desde a convocação do embaixador brasileiro em La Paz, Antonino Mena Gonçalves, à aplicação de sanções econômicas e à apresentação de um recurso à Corte de Haia.

— Não há outro caminho senão sermos duros e firmes na defesa dos interesses nacionais e da Petrobras. Não podemos ser condescendentes com esse desvario contra o nosso país — cobrou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou ontem mesmo um requerimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) propondo a realização de uma audiência para discutir o tema com ministros e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

A pedido do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Saturnino Braga (PT-RJ), concordou com o adiamento da votação da indicação de Frederico Araújo para a Embaixada do Brasil na Bolívia, que seria apreciada amanhã. Mas Saturnino ressaltou que a decisão do presidente da Bolívia, Evo Morales, não pode ser vista como uma ação direta contra o Brasil, pois foi um dos compromissos de campanha.

Líder do governo defende ação diplomática

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, anunciou que poderá enviar à Bolívia uma delegação de deputados para participar das negociações: — O governo brasileiro tem de agir de forma a respeitar a soberania da Bolívia, mas também defender energicamente os interesses brasileiros. Lula deve adotar medidas de Estado, não medidas isoladas.

Para o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), a Bolívia tomou uma atitude precipitada. Ele defende que, se não for possível o diálogo, o Brasil recorra aos mecanismos legais para proteger seus interesses.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou Lula por ter estabelecido, segundo ele, uma aliança danosa com Morales, considerado pelo parlamentar “bufão e irresponsável”. Virgílio classificou a ação do governo boliviano de expropriação: — Se necessário, o Brasil tem o dever de recorrer à Corte de Haia ou mesmo de impor sanções à Bolívia.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) acusou Lula de total omissão no episódio: — A surpresa não foi a decisão de Evo Morales, porque ele prometia isso desde a campanha eleitoral. A surpresa foi a omissão do presidente Lula, que deveria, a tempo, ter tomado providências para defender os interesses brasileiros.

Líder do governo, a senadora Ideli Salvatti (SC) afirmou que o caminho mais razoável é a negociação diplomática: — Assim como exigimos respeito à nossa soberania, precisamos respeitar a soberania de nossos vizinhos.

A candidata do PSOL à Presidência, senadora Heloisa Helena (AL), foi uma das poucas vozes a reconhecer o direito de Morales de romper contratos: — Não posso deixar de me colocar no lugar do presidente Evo Morales. E em nome do interesse público se podem romper unilateralmente contratos. Isso está assegurado, inclusive, na nossa Constituição. A defesa dos interesses brasileiros não pode se transformar num ato imperialista contra qualquer outro país.

Rigotto quer mobilização de governadores

O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, classificou de omissa e conivente a postura do governo federal e disse que Lula não está cumprindo a obrigação de defender imediatamente os interesses brasileiros: — A postura do presidente é omissa e até de certa maneira conivente em função de uma camaradagem que ele estabeleceu tentando fazer uma política internacional fracassada, personalista e que hoje desmantelou a América do Sul.

O candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que Lula está colhendo o que plantou e defendeu ousadia nas questões relativas à política externa: — Os EUA firmaram acordo bilateral com o Chile, a Colômbia e o Peru. Nós perdemos duas vezes: perdemos a preferência com os nossos vizinhos e a preferência dos EUA. Daqui a pouco estaremos isolados.

O governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, estado onde termina o gasoduto Bolívia-Brasil, que abastece 115 indústrias, defendeu uma mobilização conjunta dos governadores para respaldar a defesa dos interesses nacionais.

Em La Paz, o líder opositor Jorge Quiroga, derrotado por Morales nas urnas, advertiu que as medidas põem em risco a relação com o Brasil: — Os interesses da Bolívia passam por ter uma relação sustentável de 30, de 50 anos com o Brasil.

Fonte: o Globo



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