O tempo de espera dos pacientes por uma cirurgia no sistema público de saúde do Distrito Federal será reduzido. É o que promete a Secretaria de Saúde, após constatar a demora de até um ano no atendimento. Para isso, o governo vai firmar convênio com clínicas particulares do DF para agilizar os procedimentos cirúrgicos dos 15 mil pacientes cadastrados. O governo pretende encaminhar 30% dessas pessoas à rede particular. Assim, o GDF espera, em um ano, normalizar os atendimentos.
O processo de cadastramento das clínicas particulares, batizado pelo governo de Fila Zero, será iniciado já na primeira semana do mês de maio. Antes de fechar o convênio, uma equipe da Secretaria de Saúde deverá visitar os locais para avaliar as condições de funcionamento. O governo ainda não sabe precisar quantas clínicas vão participar do programa, mas já antecipou que elas deverão realizar cirurgias simples, como de varizes, hérnia, catarata e próstata.
O Secretário de Saúde do DF, José Geraldo Maciel, reconhece que o atual sistema de atendimento para cirurgias no DF enfrenta dificuldades. Ele diz que os hospitais conseguem atender menos de 70% do efetivo. O restante tem que aguardar. “Não temos estrutura suficiente para atender todo esse volume de cirurgias. Acreditamos que após um ano e meio de parceria com as clínicas particulares será possível normalizar a situação”, explica Maciel. Ele antecipou que durante a execução do convênio, o governo colocará em prática programas para ampliação do efetivo cirúrgico para, em seguida, voltar a fazer o atendimento total.
Subdiretor do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Renato Maranhão alega que os atrasos nas cirurgias da rede pública ocorrem em função da alta demanda. Para ele, nem mesmo se o DF triplicasse o número de hospitais públicos seria possível fazer todos os atendimentos cirúrgicos. “É humanamente impossível atender toda a demanda. O sistema médico teria que realizar mais de dez mil cirurgias por mês para zerar a fila”, diz ele. “Mas acho que o programa do governo vai ajudar a desafogar a fila”, avalia.
Os moradores da região do Entorno são os que mais sofrem com os atrasos na fila de atendimento para cirurgia. A aposentada Sabina Silva Xavier, 50 anos, tem dois tumores benignos no útero. Ela foi ao posto médico nº1 de Planaltina e, após a consulta com o médico, não recebeu qualquer resposta. “Eles nem se quer chegaram a marcar minha cirurgia. Disseram que estavam passando na frente os casos mais urgentes e que eu precisava aguardar”, conta. Sabina espera há mais de um ano retorno do posto médico e sofre de dores no útero. “Esse atraso é difícil para quem não tem condição de pagar uma clínica particular. O jeito e continuar esperando”, lamenta.
Fonte: Correio Web