Na casa ainda em construção do Lago Norte, a menina de 12 anos corre de um lado para o outro. Frequentemente mexe os dedos das mãos num movimento repetititvo (os médicos chamam isso de estereotipia). Aquele momento é só dela. Ninguém mais pode entrar no seu mundo tão encantadoramente particular. Luísa é autista. É a terceira e última filha da servidora pública Luzanira Maria Santos, 46, e do analista de sistema Abmael Ribeiro, 45. Até os 2 anos de vida, a pequena Luísa era uma criança que falava, brincava, ia à escola e tinha uma relação completamente integrada com o mundo e com as coisas que a cercava.
Depois dos 2 anos, tudo mudou. “Ela teve uma regressão na fala e na interação social. Deixou de falar, brincar com outras crianças e se isolou”, lembra a mãe. Começava a via-crúcis do casal para entender o que Luísa tinha. “Nunca tinha ouvido falar de autismo”, admite Luzanira. De consultório em consultório médico, Luzanira e Abmael queriam entender o que havia com sua filha. Clinicamente, não havia nada errado. Foram a uma psicóloga. Depois de 12 sessões de terapia, o primeiro diagnóstico: Luísa era autista. A menina completara 3 anos. “E o que ouvi naquele época é que não havia cura, minha filha não teria perspectiva nem esperança de um futuro”, diz a mãe.
O sofrimento e a dor invadiram a vida do casal. “Eu chorei e sofri muito”, confessa. Mas, mesmo em lágrimas e despedaçada, Luzanira foi à luta. Procurou o que pôde em livros médicos e na internet, ainda meio incipiente àquela época. “Tudo era muito forte e de derrubar qualquer mãe. Não havia nenhuma esperança de que minha filha pudesse ter uma vida integrada.”
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